Livros

Raphael Montes: virem a página com frio na espinha, moçada, mas com a cabeça no lugar Foto / Victor Prataviera

Raphael Montes: virem a página com frio na espinha, moçada, mas com a cabeça no lugar

A literatura de terror tem o poder de nos levar a um lugar sombrio, onde nossas emoções mais profundas são testadas. No Brasil, esse gênero literário é menos explorado, mas Raphael Montes surge como uma exceção promissora. Seus livros, recheados de suspense psicológico e reviravoltas surpreendentes, têm conquistado um público cada vez maior. No entanto, suas obras também apresentam desafios que, ao serem superados, podem consolidar ainda mais seu nome no cenário literário. Em um panorama de poucas vozes no gênero, Montes busca seu espaço com intensidade e apelo midiático.

As imagens do cão e do pássaro no Grande Sertão: Veredas Foto / Acervo Fundo JGR

As imagens do cão e do pássaro no Grande Sertão: Veredas

João Guimarães Rosa tinha o costume de anotar tudo o que via, ouvia e percebia em suas conhecidas viagens pelo interior de Minas Gerais. O diplomata de carreira que morava longe do Brasil tirava o terno e grava para vestir as roupas de um vaqueiro. A cada item novo que surgiu pelo caminho, ele escreveu os detalhes em pequenas cadernetas ou cadernos de campo, à moda dos botânicos e antropólogos.

Extinção, de Thomas Bernhard: o negativismo como estética e existência

Extinção, de Thomas Bernhard: o negativismo como estética e existência

Thomas Bernhard mergulha o leitor em um universo marcado pelo colapso de qualquer esperança de redenção ou sentido. Através de uma prosa densa e repetitiva, o autor desmantela a estrutura da linguagem, transformando-a em um instrumento de autossabotagem. O romance acompanha Franz-Josef Murau, que, ao retornar à sua terra natal após a morte da família, enfrenta as sombras de um passado marcado por hipocrisia e decadência. Bernhard expõe, com brutalidade, a fragilidade da existência e o esgotamento do sentido nas palavras.

O Homem sem Qualidades, de Robert Musil: o coração fragmentado do século 20

O Homem sem Qualidades, de Robert Musil: o coração fragmentado do século 20

“O Homem Sem Qualidades” é uma jornada literária. No início, a paisagem é atraente, cheia de promessas de descobertas filosóficas e reflexões sobre a condição humana. Mas logo, quando você menos espera, começa a se perguntar se está lendo uma enciclopédia filosófica e científica. A cada página, o livro nos desafia e se apresenta quase como uma coisa antiestética, dado o seu enciclopedismo desconcertante.

Tove Ditlevsen: uma dinamarquesa com problemas tipicamente brasileiros Foto / Jarner Palle / Ritzau

Tove Ditlevsen: uma dinamarquesa com problemas tipicamente brasileiros

A síndrome de vira-lata do brasileiro muitas vezes o impede de admitir que existe uma camada de pobreza nos países abastados. Ou ele imagina que a pobreza de lá é muito mais bonita do que a pobreza daqui. Como se a nossa miséria só não fosse mais miserável do que a miséria africana, onde não existe riqueza ou de onde a riqueza foi levada para o endereço dos exploradores.