Crônica

Brasil levou o Oscar e Hollywood aprendeu o significado da palavra saudade Divulgação / Sony Pictures

Brasil levou o Oscar e Hollywood aprendeu o significado da palavra saudade

A estatueta de melhor roteiro deveria vir para nosso país. Sabemos já há algum tempo, acompanhando desfechos inusitados de nossos enredos políticos e culturais, que o roteirista do Brasil não brinca em serviço. Mas neste ano ele caprichou de um jeito lúdico. Estivemos no topo do mundo cinematográfico em pleno carnaval. Foi a oportunidade de assistir à premiação até altas horas sem se preocupar em acordar cedo na segunda-feira, mistura de passarela do samba com tapete vermelho, trio elétrico tocando Dodô e Osmar e Walter Salles sendo aplaudido de pé, torcida pela escola favorita e por Fernanda Torres.

O contexto está fora do contexto

O contexto está fora do contexto

Vivemos em tempos difíceis para o contexto. Em uma era dominada por recortes, julgamentos instantâneos e viralizações frenéticas, a ideia original das palavras tornou-se vítima constante de interpretações precipitadas. Aquilo que se disse ontem já é julgado hoje com regras diferentes, ignorando completamente os cenários em que frases e opiniões nasceram. Nesse cenário caótico, o contexto perdeu importância e relevância, e agora agoniza silenciosamente nos bastidores das polêmicas diárias.

DR de carnaval entre Arlequim e Colombina

DR de carnaval entre Arlequim e Colombina

O carnaval é marcado por encontros e desencontros, paixões e despedidas. Neste diálogo entre Arlequim e Colombina, suas discussões sentimentais ganham voz por meio de versos extraídos exclusivamente de marchinhas tradicionais. A conversa explora as emoções, dramas e alegrias da época, compondo uma narrativa que reflete o espírito característico do carnaval brasileiro. O resultado é um diálogo musical, onde cada frase é parte da memória coletiva dessa festa popular.

No que um tolo acredita

No que um tolo acredita

Enquanto me aborrecia com os derrapadas vocais do icônico cantor norte-americano, notei a presença de uma dupla que conversava do outro lado da rua, sob a cobertura metálica de um ponto de ônibus. Era um homem velho e um rapaz. Senti um imediato banzo de saudade. A aparência do velhote lembrava meu pai: magricelo, nariz adunco, estatura mediana, cabelos lisos e levemente grisalhos, camisa listrada de mangas longas, cuja extremidade inferior estava enfiada dentro da calça de gabardine, meias sociais pretas e o tênis multicolorido destoando de tudo.

Desconstruindo o baixo astral com Machos Alfa, na Netflix Manuel Fiestas / Netflix

Desconstruindo o baixo astral com Machos Alfa, na Netflix

Os atores são ótimos e as personagens, impagáveis; a ponto de o quarteto de quarentões admitir que necessitava passar por mudanças drásticas na sua essência machista, para melhorar as relações quase sempre tempestuosas com esposas, namoradas e colegas de trabalho. As tentativas de transformação começam já na primeira temporada, quando Santi, o menos ogro do grupo, convence os demais a se inscreverem num curso para homens, no qual um coach descolado ensina o beabá da desconstrução da masculinidade tóxica.