Crônicas

Sobre uma pandemia e a humanidade que nos restou

Sobre uma pandemia e a humanidade que nos restou

Escrever é terapêutico. Palavras abrem caminhos e acedem luzes. O distanciamento social tem inundado minha cabeça de ideias. Tento organizá-las. Deixo-as entrar. Podem vir, me guiem. Me levem às lembranças do passado e dos dias anteriores — e olha que alguns dias nem estão tão distantes assim.

O dia em que encontrei Moraes Moreira

O dia em que encontrei Moraes Moreira

Eu sequer imaginava que o Moraes morasse no Rio. Fiquei na sua cola. Exigências sanitárias não permitiam aos clientes tomar o café da manhã dentro do estabelecimento. Uma vez na calçada, com a intrepidez de um selvagem, acelerei o passo e perguntei “Desculpe. O senhor é o Moraes Moreira, certo?”. Ele assentiu com a cabeça, demonstrando pouca empolgação com a minha abordagem, tão cedo no dia.

Quando o coração se transforma num gabinete de ódio

Quando o coração se transforma num gabinete de ódio

Há idosos demais atravancando as reformas que o país não pode mais prescindir. Como eu já disse, nasci por engano e sem um anjo torto para aporrinhar. Fui criado como gado, à larga, pastando no vale do silício da ignorância. Sinto um orgulho danado da minha estupidez. Não se fica reacionário da noite para o dia.