Crônicas

O mal não é o gafanhoto, são os canalhas

O mal não é o gafanhoto, são os canalhas

Era uma edificação antiga, estilo colonial, com ofurô no jardim. Nada mais classe média do que aquilo. Contudo, era um antro aconchegante. Tinha um carro na garagem. Caseiro à disposição, homem disposto, liso, calado. E um pitbull marrento, campeão de rinha, que possuía uma cicatriz profunda no focinho. Resolvi chamá-lo de Scarface.

Pasárgada é aqui

Você precisa do lugar comum. A aprazível rotina. O fim do expediente esperado ansiosamente. O boteco nas sextas-feiras. A conversa fiada. O petisco. O Chope emoliente cantado pelo Paulo Mendes Campos. Até o trânsito caótico de Goiânia. Transitar. Ir de um lugar a outro. Saborear o normal. Essa é a Pasárgada que queria de volta.

Preparando para o novo normal nos prostíbulos

Preparando para o novo normal nos prostíbulos

A expectativa pela hora do apocalipse era algo que me deixava fulo. Fazia séculos que a humanidade esperava o fim do mundo. Um saco ter que esperar tanto tempo. Nenhum motorista cruzava o meu caminho para tomar uma buzinada nos cornos. A falta de pressa deu-me tempo suficiente para ler os versos que alguém tinha pichado num muro. A ortografia estava ótima, melhor que a do Ministro da Educação. Senti aquela familiar suavidade de volta.