Crônicas

O amor é um bailarino que convida para a dança

O amor é um bailarino que convida para a dança

Alguém passou aqui dançando. Você viu? Entrou por aquela porta ali, varreu os cômodos rodopiando a leveza dos anjos, girou sobre os pés deslizando pela casa, como se minha casa fosse um enorme salão no meio do mundo todo e a humanidade, seu corpo de baile. Em sua dança, chegou pisando leve, cantando baixinho como quem reza a Nossa Senhora dos Pequenos Milagres para que o afeto seja nosso eterno ato de contrição. E que entre uma pedra e outra do caminho floresçam mudas de bom dia, boa tarde, boa noite, por favor e obrigado.

Pequenos movimentos das coragens nossas de cada dia

Pequenos movimentos das coragens nossas de cada dia

A premência de atos de coragem se manifesta em nossas vidas desde o instante do nascimento. Ambos, o bebe e sua mãe, precisam de imensa determinação e desejo, para trocar, abandonar um ambiente aquoso, seguro e acalentador pela vinda à luz na terra dos homens. Mudar de hábitos, largar ambientes mornos por outros desconhecidos — ainda que anunciem o bônus de certa prosperidade, demanda entrega e decisão.

Oração de boas-vindas a uma criança que chega

Oração de boas-vindas a uma criança que chega

Vem, pequeno artista, vem pintar o sete deste lado de cá. Vem que o rumo certinho das coisas carece de desarranjo. Vem mudar os prazos, acelerar o ritmo, parar o tempo. Vem que a vida é agora, e é hora de viver entre nós. Vem encher a casa de visitas e presentes e conversas em voz baixinha para não lhe atrapalhar o sono. Vem lembrar o que de fato importa, que na vida somos todos visitantes afoitos. Vem acordar o mundo em meio à noite e despertar a ternura que resta lá fora.

Prestemos atenção, pois o céu acaba de beijar a terra

Prestemos atenção, pois o céu acaba de beijar a terra

O céu beija a terra e afaga as arestas do planeta muito mais vezes do que se imagina, no decorrer desta nossa curta existência. Quando o sol, ainda se espreguiçando cumprimenta gentil as novas alvoradas. Durante uma pesca silenciosa, quase um mantra para um pescador eterno banhado de luz em seu trajeto marinho. No exato instante em que uma flor, ainda em botão, larga seu título de menina — moça e desabrocha para as abelhas se banquetearem de alentos.

Elogio das pessoas imperfeitas deste mundo

Elogio das pessoas imperfeitas deste mundo

Acontece em todas as festas. Depois dos risos, dos perfumes recendendo, das chegadas pirotécnicas, dos abraços e dos beijos em boa dose, depois das fotografias e de todo o protocolo festivo, chega o instante estranho em que o volume da música diminui, os convivas populares desaparecem e ali permanecemos apenas nós, as pessoas imperfeitas deste mundo. Agora somos nós e nossos defeitos.