Autor: Enio Vieira

A melhor série da Netflix em 2021

A melhor série da Netflix em 2021

A série “The Chair” (2021), da Netflix, traz uma história minúscula do Departamento de Inglês (equivalente aos cursos de Letras no Brasil), na fictícia faculdade de humanidades de Prembroke. Nesse mundinho, entretanto, é possível ver o mega combate social que se instaurou a partir dos anos 1990 e gerou boa parte do poço sem fundo atual das “guerras culturais”. Uma disputa de vida ou morte no único local em que a crítica ainda pode ser realizada, mesmo de forma mínima.

Clarices, carolinas e hildas: um mapa das escritoras brasileiras contemporâneas

Clarices, carolinas e hildas: um mapa das escritoras brasileiras contemporâneas

Ser escritora no Brasil significa enfrentar desafios simultâneos. O primeiro deles é a entrada no campo literário dominado historicamente por homens brancos, héteros e de classe média. Esse é o obstáculo cultural e social que, ao longo dos anos e de forma lenta, vai sendo superado com o surgimento de mais e mais autoras. Ao mesmo tempo, existe no plano estético o peso da figura de Clarice Lispector, a “poeta forte” na literatura brasileira contemporânea, para usar uma ideia de Harold Bloom.

Voz ativa: a música popular brasileira em quatro tempos

Voz ativa: a música popular brasileira em quatro tempos

Quem assiste à série “Coisa Mais Linda” (2019), da Netflix, tem uma ideia de como se formou o sistema da música popular brasileira. Com uma história de amor em primeiro plano, as duas temporadas recriam o ambiente em que surgiu a Bossa Nova no Rio de Janeiro, no final dos anos 1950. Na série, a personagem Malu comanda a boate onde se apresentam os músicos para um público de classe média carioca e sofisticado. Chico Carvalho representa o compositor e cantor que faz a ponte com os sambistas negros do morro. E Roberto é o dono da gravadora que move os negócios do novo som.

Sentimentos gerados pela visita a cemitérios

Sentimentos gerados pela visita a cemitérios

Por duas vezes, fiz algo aparentemente estranho: visitar cemitérios onde estão enterradas pessoas que admiro. Ainda bem que não estou sozinho nesse costume. Saiu agora no Brasil a coletânea de ensaios “Campo Santo”, do alemão W.G. Sebald, morto num acidente de carro em 2001. Ele relata na abertura do livro a ida ao cemitério da Ilha da Córsega, terra de Napoleão Bonaparte — nas próximas semanas, falarei mais sobre esse autor imperdível.