Autor: Eberth Vêncio

Estádio de futebol com torcida única é o cemitério do futebol

Estádio de futebol com torcida única é o cemitério do futebol

Desorganização. Apesar dos vultosos investimentos financeiros, o futebol brasileiro continua muito desorganizado. Tive o privilégio de frequentar o Estádio Serra Dourada numa época gloriosa, quando aquela praça esportiva era feliz e democrática, recebendo simultaneamente as torcidas do time mandante e do time visitante. Dividiam-se as arquibancadas em duas metades, e cada torcida ocupava um dos lados.

Pelados em Tambaba

Pelados em Tambaba

Verão de 2025. Estávamos estacionados com cara de viagem em frente ao portão que dava acesso a uma parte restrita da bela praia de Tambaba, na Paraíba. Quatro amigos de longa data aguardando a decisão das esposas: iríamos ou não tirar as roupas de banho? Nada mais democrático — e precavido — do que esperar o resultado do conclave feminino.

O que eu lhe desejo de bom para o ano novo ainda não foi desejado

O que eu lhe desejo de bom para o ano novo ainda não foi desejado

O que mais poderia requerer de bem para um novo ano que se avizinha? Desejar o que ainda não foi desejado, por suposto. A felicidade é um sentimento relativo. O fazer-se de vivo das pedras. O fazer-se de morto das feras. Desconsiderando a enfática falta de empatia das criaturas sem sentimentalidades, há quem garanta que as plantas sentem, pressentem e até mesmo se apoquentam com as pessoas. Sob amor zeloso, florescem.

Felicidade interna bruta

Felicidade interna bruta

Felicidade é ter alta hospitalar e ser recebido em casa pelo cachorro. É descer o morro lambendo um sorvete tipo americano sem ser alvejado por uma bala perdida. Felicidade é a dádiva de quitar uma dívida impagável. É ter a sorte memorável de encontrar a sua alma gêmea sem sequer ter jogado na loteria.

Se a vida lhe der um tombo, aproveita para fazer um duplo twist carpado

Se a vida lhe der um tombo, aproveita para fazer um duplo twist carpado

Eram tempos de servidão à obstetrícia. Atendia uma gestante cujo útero tinha o tamanho de uma fruta de lobeira. Consultava-se comigo há anos, desde os tempos de solteirice. Estava acompanhada por um homem de meia idade que, à primeira vista, supus fosse o marido. Tinha um semblante familiar. Enquanto examinava a grávida e o concepto que crescia feito um coró nas suas entranhas, fiz um exercício mental hercúleo para me lembrar quem era o dito-cujo. De alguma maneira, a presença dele no consultório me incomodava.