Autor: Eberth Vêncio

A minha primeira vez: na íntegra e sem cortes

A minha primeira vez: na íntegra e sem cortes

Eu sei que as demandas da hora andam periclitantes, mesmo assim vou contar, na íntegra e sem cortes, a minha primeira vez pra vocês. Eu sei, por exemplo, que muitos estão preocupadíssimos consigo mesmo — para variar — em virtude da recente disparada do dólar. Alguns porque viajariam em compras maníacas para Miami; outros, em lua de mel para Cancun. Os primeiros — quem sabe — terão que se contentar com as liquidações de ponta de estoque das lojinhas na 25 de março em São Paulo. Aos segundos — esta hipótese até que não soa tão broxante assim — talvez reste apenas trocar juras de amor numa pousadinha barata na montanha.

Desgraça pouca é bobagem

Desgraça pouca é bobagem

A violência é um despertáculo ao qual não nos acostumamos, senão nos ambientes de guerra, onde o vale-tudo da carnificina se dá em zonas neutras, abençoadas pela justiça humana, onde se pode trucidar o inimigo, e ainda por cima, ganhar uma medalha, uma condecoração por ato de bravura e, com muita sorte, até uma estátua num jardim, a servir de latrina para os passarinhos.

É proibido ser feliz sozinho

É proibido ser feliz sozinho

Aviso: é proibido fazer trocadilhos nesta área. Mais que impossível, é proibido ser feliz sozinho. É proibido sentir ódio de frente ao mar. Já melancolia, paixão e saudade: pode. A regra é clara: é proibido aos goleiros ateus operarem milagres. É proibida a criação de novas duplas sertanejas em cativeiro. É proibido abortar um poema em germinação. Já chega de tanta prosa e literatura de autoajuda. É proibido calar-se frente a tanta iniquidade.

A fantástica entrevista com o papa

A fantástica entrevista com o papa

O combinado com os assessores papais era que o papai aqui falaria com o pontífice após a santa missa em Aparecida do Norte. Então, catei o meu saco de pipocas tamanho dois reais (portas de igrejas que não possuam pipoqueiros, cachorros decadentes, ou pombos defecando, simplesmente não merecem a menor consideração deste energúmeno que vos fala, ou melhor, vos escreve) e arrumei um cantinho no enorme templo, embaixo de uma santa cuja vela de sete dias fumegava e, de tempos em tempos, gotejava cera quente sobre a minha careca, especialmente quando os meus pensamentos se desprendiam da cerimônia rumo às “pernas de louça da moça que passa e eu não posso pegar”.