Autor: Eberth Vêncio

A lobista que me amava

A lobista que me amava

Lembro-me bem de como eu sentia uma pontinha de inveja do Augustinho nos tempos de colégio, no final dos anos 70. É que Augustinho era o único pirralho que possuía tênis All Star, motorista particular e guarda-costas. Eu ia a pé pra escola, na guarda do bom e enigmático Deus, do meu irmão mais velho e de um trevo de quatro folhas enfiado à força dentro da carteira (coisas de mãe, vocês sabem).

Caim Entertainments presents: free violence

Caim Entertainments presents: free violence

Eu poderia simplesmente intitular esta crônica na nossa língua pátria, valendo-me dos vernáculos em português. “Caim Entretenimentos apresenta: Violência Gratuita”. Não. Os brasileiros — dos mais humildes assalariados até os ricaços viajantes metidos a sabichões bilíngues — flertam o tempo inteiro com o glamour do estrangeirismo, o que não deixa de disfarçar um bocado o complexo de vira-latas, de nação inferior e subdesenvolvida, no que tange a índices como PIB, IDH e a PQP.

Não chore por mim, Valentina

Não chore por mim, Valentina

Eram 11 dias do mês de setembro de 2013. Enquanto meu amor dormia, exausta de mim e do meu mau humor, no Hotel Losermanos, eu caminhava com Valentina, uma prostituta portenha que conheci quando passeava pelo famoso Cemitério da Recoleta em Buenos Aires, considerado por todos — exceto pelos mortos, é claro — um dos mais belos e portentosos cemitérios do planeta. A moça cumpria o ritual de visitar os túmulos de Evita Perón (um dos mais modestos do pedaço, aliás, considerando a predominante opulência arquitetônico-escultural das catacumbas), do soldado desconhecido, da prostituta desconhecida e da dignidade desconhecida. É isso: a vida é uma guerra diuturna, seus cães.

Manual de autoajuda para deputados

Manual de autoajuda para deputados

Se conselho fosse deputado, o povo não dava, comprava. De gente boa, o plenário e o inferno estão lotados. O que outras pessoas pensam de ti — embora seja a mais pura verdade — não é da conta deles, mas sim, da polícia federal. Não leves as escutas telefônicas tão a sério. Sem a devida autorização judicial, valem menos que discurso de vice-presidente num feriado da Independência.

Os 10 mandamentos da politicagem

Os 10 mandamentos da politicagem

Amarás o adeus, sobre todas as coisas. Fugirás do país, se preciso for. Escaparás dos cercos policiais. Driblarás as devassas fiscais da Receita Federal. Trafegarás elegante, com o nariz empinado, usando o próprio jatinho ou — não custa tentar — um avião requisitado da FAB. Tomarás um delicioso conhaque num café em Paris e rirás da cara de besta do povo que tu abandonaste nesta terra de samba e pandeiro.