Acha que é cinéfilo de carteirinha, hein? Aquele tipo que sabe de cor quem ganhou o Oscar de Melhor Fotografia em 1976 ou que consegue recitar os planos-sequência mais emblemáticos do cinema mundial. Pois bem, chegou a hora de colocar seu crachá de “Eu vejo filmes cult” à prova! Reunimos nada menos que 71 filmes que costumam figurar em listas de clássicos, essenciais e obrigatórios. A questão é: quantos deles você viu de verdade?
Antes de sair contando, prepare-se: este é um desafio feito para testar até mesmo quem decora diálogos do Tarantino ou reconhece, de longe, as trilhas do Ennio Morricone. Se você passar da marca de 10 títulos conferidos, parabéns — terá o direito de exibir sua superioridade cinéfila nos churrascos familiares (mesmo que ninguém entenda suas referências à mise-en-scène). Mas não se deixe enganar: a lista vai além de nomes óbvios, incluindo obras que farão até veteranos de cineclubes coçarem a cabeça.
E como se não bastasse todo esse clima de provação, há um rim em jogo. Claro que ninguém vai realmente entregar órgãos, mas o suspense só aumenta o tempero dramático (afinal, amamos drama tanto quanto Hollywood). Então, encha a pipoca, ajeite-se na poltrona e mostre que não é apenas mais um que vê filmes de super-heróis em looping. Está na hora de descobrir se o seu placar ultrapassa o temido 10 filmes. Valendo: ação!
1 — Atlantis (2019), de Valentyn Vasyanovych
Sinopse: O pós-guerra ucraniano em planos parados e silêncio absoluto. Um filme sobre a ausência.
2 — La Flor (2018), de Mariano Llinás
Sinopse: Catorze horas de cinema experimental argentino. Poucos começaram; menos ainda terminaram.
3 — Clímax (2018), de Gaspar Noé
Sinopse: Você acha que está dançando, até perceber que está em um pesadelo sem pausa.
4 — Vozes de Chernobyl (2016), de Pol Cruchten
Sinopse: Testemunhos reais filmados com distância poética. Um soco frio que poucos aguentam.
5 — O Lamento (2016), de Na Hong-jin
Sinopse: Terror lento, ritualístico e desconcertante. Muitos param na metade, sem saber se é suspense ou delírio.
6 — O Vale do Amor (2015), de Guillaume Nicloux
Sinopse: Dois atores em um deserto, num filme sem ação ou clímax, só o vazio entre eles.
7 — Post Tenebras Lux (2012), de Carlos Reygadas
Sinopse: Imagens belas e perturbadoras, sem explicação ou lógica. Um quebra-cabeça feito para ser incompleto.
8 — Holy Motors (2012), de Leos Carax
Sinopse: Um ator vive várias vidas num único dia. Uma fábula sem mapa ou legenda.
9 — The Act of Killing (2012), de Joshua Oppenheimer
Sinopse: Assassinos encenam seus próprios crimes como se fossem filmes. Experiência que dá enjoo.
10 — O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho
Sinopse: O cotidiano de um bairro e suas tensões invisíveis. O clima vale mais que a trama.
11 — A Árvore da Vida (2011), de Terrence Malick
Sinopse: Do Big Bang ao drama familiar (com dinossauros). Poético, porém difícil para muitos.
12 — O Cavalo de Turim (2011), de Béla Tarr
Sinopse: Rotina extrema e sem saída. Um homem, a filha e uma batata em loop existencial.
13 — Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), de Apichatpong Weerasethakul
Sinopse: Silêncio e espiritualidade tailandesa em estado puro. Ritmo quase imóvel.
14 — Enter the Void (2009), de Gaspar Noé
Sinopse: Viagem lisérgica do pós-vida em primeira pessoa. Câmera flutuante, duração torturante.
15 — Sangue Negro (2007), de Paul Thomas Anderson
Sinopse: Exploração sombria do capitalismo e da obsessão, centrada em um magnata do petróleo no início do século 20.
16 — Império dos Sonhos (2006), de David Lynch
Sinopse: Três horas de sonho ruim. Você começa lúcido e termina no chão do inconsciente.
17 — Os Excêntricos Tenenbaums (2001), de Wes Anderson
Sinopse: Comédia dramática peculiar sobre uma família de ex-prodígios infantis em crise na vida adulta.
18 — Além da Linha Vermelha (1998), de Terrence Malick
Sinopse: Épico da Segunda Guerra que reflete sobre a natureza da guerra na Batalha de Guadalcanal.
19 — Ondas do Destino (1996), de Lars Von Trier
Sinopse: Uma mulher ingênua vive tragédias sucessivas numa pequena cidade, em drama perturbador.
20 — Sátántangó (1994), de Béla Tarr
Sinopse: Sete horas e meia de lama, chuva e miséria. Coloca a noção de tempo do espectador à prova.
21 — Lanternas Vermelhas (1991), de Zhang Yimou
Sinopse: Vigoroso retrato do feudalismo chinês, visto pela jovem que se torna a quarta esposa de um senhor rico.
22 — Trilogia: O Poderoso Chefão (1972–1990), de Francis Ford Coppola
Sinopse: Épica história da família Corleone, suas lutas pelo poder, traições e tragédias ao longo de décadas.
23 — Faça a Coisa Certa (1989), de Spike Lee
Sinopse: Tensões raciais em um bairro do Brooklyn no dia mais quente do ano, culminando em explosão de conflitos.
24 — Asas do Desejo (1987), de Wim Wenders
Sinopse: Um conto poético sobre anjos em Berlim, que escutam pensamentos mas não podem experienciar a vida humana.
25 — O Sacrifício (1986), de Andrei Tarkóvski
Sinopse: O mundo à beira do apocalipse nuclear; tudo em câmera lenta. Reflexão melancólica sobre fé e humanidade.
26 — Shoah (1985), de Claude Lanzmann
Sinopse: Documentário definitivo sobre o Holocausto, com nove horas de depoimentos e nenhuma imagem de arquivo.
27 — Era Uma Vez na América (1984), de Sergio Leone
Sinopse: Saga criminal sobre amigos de infância em Nova York, do início no crime à velhice.
28 — Paris, Texas (1984), de Wim Wenders
Sinopse: Drama íntimo de um homem que ressurge após sumir por anos e tenta se reaproximar do filho e da ex-mulher.
29 — Nostalgia (1983), de Andrei Tarkóvski
Sinopse: Sobre vazio, memória e perda, em ritmo contemplativo que parece dilatar o tempo.
30 — Memórias (1980), de Woody Allen
Sinopse: Sátira do narcisismo intelectual, seguindo um roteirista de TV neurótico e suas crises existenciais.
31 — Stalker (1979), de Andrei Tarkóvski
Sinopse: Jornada metafísica por uma área restrita conhecida como “A Zona”, guiada por um “Stalker”.
32 — Todos os Homens do Presidente (1976), de Alan J. Pakula
Sinopse: Baseado em fatos reais, mostra como dois repórteres do Washington Post expuseram o escândalo de Watergate.
33 — Nashville (1975), de Robert Altman
Sinopse: Personagens e histórias entrelaçadas na cena musical de Nashville, abordando fama, política e autenticidade.
34 — Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), de Chantal Akerman
Sinopse: Três horas acompanhando a rotina de uma dona de casa em tarefas domésticas — tédio como arte radical.
35 — O Espelho (1975), de Andrei Tarkóvski
Sinopse: Memória, infância, sonho e poesia se misturam. Desafia a narrativa convencional com imagens líricas.
36 — Chinatown (1974), de Roman Polanski
Sinopse: Thriller noir em Los Angeles, onde um detetive se embrenha numa teia de corrupção e segredos familiares.
37 — Amarcord (1973), de Federico Fellini
Sinopse: Comédia dramática semi-autobiográfica retratando a vida na cidade natal de Fellini durante o fascismo.
38 — A Montanha Sagrada (1973), de Alejandro Jodorowsky
Sinopse: Viagem mística e psicodélica, cheia de simbolismo e crítica social, com cenas memoráveis.
39 — Solaris (1972), de Andrei Tarkóvski
Sinopse: Ficção científica introspectiva sobre dor e saudade, numa estação espacial onde memórias ganham forma.
40 — Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci
Sinopse: Drama erótico controverso sobre um viúvo americano e uma jovem parisiense num relacionamento anônimo.
41 — Patton (1970), de Franklin J. Schaffner
Sinopse: Biografia do general George S. Patton na Segunda Guerra, evidenciando sua personalidade marcante.
42 — El Topo (1970), de Alejandro Jodorowsky
Sinopse: Faroeste surreal e alegórico, repleto de simbolismos e misticismo. Não é para quem busca literalidade.
43 — Teorema (1968), de Pier Paolo Pasolini
Sinopse: Um enigmático visitante transforma a vida de uma família burguesa com sua presença quase sobrenatural.
44 — 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick
Sinopse: Marco da ficção científica que explora a evolução humana, do amanhecer do homem à era espacial, de forma filosófica.
45 — Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha
Sinopse: Drama político brasileiro sobre um jornalista idealista que mergulha na corrupção e nos jogos de poder de um país fictício.
46 — Andrei Rublev (1966), de Andrei Tarkóvski
Sinopse: Retrato do grande pintor de ícones da Rússia medieval, explorando suas lutas espirituais e artísticas.
47 — Blow Up: Depois Daquele Beijo (1966), de Michelangelo Antonioni
Sinopse: Fotógrafo londrino acredita ter capturado um assassinato em uma de suas imagens, em thriller psicológico icônico.
48 — Fahrenheit 451 (1966), de François Truffaut
Sinopse: Adaptação da obra de Ray Bradbury sobre uma sociedade que proíbe livros, enquanto um “bombeiro” começa a questionar tudo.
49 — Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha
Sinopse: Um casal do sertão, faminto e explorado, embarca em caminhos de messianismo e violência. Marco do Cinema Novo brasileiro.
50 — Oito e Meio (1963), de Federico Fellini
Sinopse: Crise criativa de um diretor de cinema, num filme autobiográfico que mescla fantasia, memória e realidade.
51 — O Leopardo (1963), de Luchino Visconti
Sinopse: Épico histórico que acompanha a aristocracia siciliana durante a unificação italiana no século 19.
52 — O Anjo Exterminador (1962), de Luis Buñuel
Sinopse: Sátira surrealista em que convidados de um jantar burguês se veem incapazes de deixar a casa, sem explicação aparente.
53 — Lawrence da Arábia (1962), de David Lean
Sinopse: Épico britânico sobre T. E. Lawrence e seu papel na Revolta Árabe contra o Império Otomano na Primeira Guerra.
54 — Acossado (1960), de Jean-Luc Godard
Sinopse: Inovador da Nouvelle Vague, segue o romance entre um criminoso impulsivo e uma jovem estudante em Paris.
55 — A Marca da Maldade (1958), de Orson Welles
Sinopse: Clássico noir na fronteira México-EUA, em que um agente antidrogas se opõe a um xerife corrupto.
56 — Meu Tio (1958), de Jacques Tati
Sinopse: Sátira cômica sobre modernidade e tecnologia, sob o olhar de um menino e seu tio espirituoso.
57 — Morangos Silvestres (1957), de Ingmar Bergman
Sinopse: Um médico idoso revisita o passado numa viagem de carro, refletindo sobre a vida e as oportunidades perdidas.
58 — Juventude Transviada (1955), de Nicholas Ray
Sinopse: Um dos primeiros filmes sobre rebeldia adolescente, com James Dean num papel que se tornaria icônico.
59 — Os Sete Samurais (1954), de Akira Kurosawa
Sinopse: Aventura épica sobre samurais contratados para defender uma aldeia de bandidos, influente no cinema mundial.
60 — Sindicato de Ladrões (1954), de Elia Kazan
Sinopse: Drama sobre corrupção nos cais de Nova York, com Marlon Brando em performance antológica.
61 — Era Uma Vez em Tóquio (1953), de Yasujiro Ozu
Sinopse: Retrato intimista do abismo geracional e das mudanças no Japão pós-guerra, através de uma família.
62 — Rashomon (1950), de Akira Kurosawa
Sinopse: Tribunal mostra versões conflitantes de um crime, explorando a verdade subjetiva e a natureza humana.
63 — O Crepúsculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder
Sinopse: Roteirista fracassado cruza caminho de uma estrela do cinema mudo em decadência, numa história de obsessão.
64 — Casablanca (1942), de Michael Curtiz
Sinopse: Romance em plena Segunda Guerra, ambientado no Marrocos, célebre por Bogart e Bergman.
65 — Cidadão Kane (1941), de Orson Welles
Sinopse: A trajetória de um magnata da imprensa contada em flashbacks complexos, considerado um dos maiores filmes de todos.
66 — A Regra do Jogo (1939), de Jean Renoir
Sinopse: Sátira da elite francesa pré-guerra, revelando a hipocrisia entre aristocratas e criados.
67 — No Tempo das Diligências (1939), de John Ford
Sinopse: Western clássico acompanha um grupo heterogêneo de passageiros cruzando território Apache.
68 — Olympia (1938), de Leni Riefenstahl
Sinopse: Documentário pioneiro sobre as Olimpíadas de Berlim (1936), que introduziu várias inovações na filmagem esportiva.
69 — Aurora (1927), de F. W. Murnau
Sinopse: Drama romântico expressionista, em que um homem é tentado a matar a esposa por uma mulher da cidade.
70 — A General (1926), de Buster Keaton e Clyde Bruckman
Sinopse: Comédia épica da Guerra Civil Americana, com Keaton em acrobacias e humor visual inesquecíveis.
71 — Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein
Sinopse: Marco do cinema mudo inspirado em revolta de marinheiros em 1905, famoso pela montagem inovadora.