Épico perfeito para quem ama “Coração Valente” na Netflix David Eustace / Netfix

Épico perfeito para quem ama “Coração Valente” na Netflix

Em “Legítimo Rei”, a grandiosidade visual se impõe como um dos trunfos mais evidentes. A fotografia meticulosamente composta, os cenários que transpiram autenticidade e os figurinos historicamente fiéis compõem um quadro de imersão rara, transportando o espectador diretamente ao turbulento período da Escócia medieval. No entanto, por trás desse esplendor estético, há uma narrativa que, ao tentar abarcar eventos históricos de proporção colossal em um tempo restrito, acaba comprometendo camadas de complexidade que poderiam tornar a trama ainda mais impactante. A trajetória de Robert the Bruce é fascinante por si só, mas sua compressão em pouco mais de duas horas impede um desenvolvimento mais aprofundado das relações, motivações e dilemas dos personagens que orbitam essa história. Uma minissérie talvez fosse o formato ideal para capturar as nuances do período e das escolhas de seu protagonista.

Chris Pine assume o papel do lendário rei escocês com entrega e carisma, construindo um retrato convincente de um líder dividido entre a diplomacia e a necessidade da guerra. Ainda assim, há quem sugira que um ator como Gerard Butler poderia ter conferido uma intensidade ainda maior à figura de Robert. Contudo, a cereja do bolo é Aaron Taylor-Johnson, cuja interpretação visceral de James Douglas confere ao filme um elemento de brutalidade cru e imprevisível. Sua presença hipnotizante eleva a história e deixa a sensação de que sua participação merecia mais tempo em tela. Em contrapartida, os demais personagens são reduzidos a funções periféricas, sem a devida exploração de suas trajetórias individuais, o que enfraquece a densidade emocional da narrativa.

O longa também gera discussões ao retratar os ingleses como vilões implacáveis, massacrando populações e incendiando castelos sem qualquer traço de humanidade. Embora essa caracterização não fuja ao espírito dos acontecimentos históricos, ela se apoia em uma dicotomia simplista, sem nuances que poderiam enriquecer o embate. De qualquer forma, a brutalidade do período é transmitida com contundência através das sequências de batalha, que evocam a visceralidade de “Coração Valente”. A coreografia dos combates, aliada à fotografia precisa, confere um realismo brutal que torna cada golpe e cada confronto palpável. No entanto, essa ênfase na estética da violência por vezes ocorre em detrimento de uma construção mais profunda da trajetória emocional dos personagens centrais.

Apesar dessas limitações, “Legítimo Rei” é um drama histórico visualmente imponente e narrativamente envolvente para quem aprecia o gênero. Quem busca uma abordagem mais analítica e complexa pode se frustrar com a rapidez com que certos eventos são tratados, mas aqueles que desejam uma imersão intensa no caos medieval encontrarão cenas de grande impacto. Se não reinventa a fórmula dos épicos históricos, ao menos reafirma sua capacidade de emocionar e impressionar, consolidando-se como um retrato dinâmico e sangrento de um período marcado pela luta incessante por soberania.

Filme: Legítimo Rei
Diretor: David Mackenzie
Ano: 2018
Gênero: Drama/Épico/Guerra/História
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★