Drama de Segunda Guerra tão triste e desesperador, que ninguém sairá ileso após assistí-lo, na Netflix Divulgação / IFC Films

Drama de Segunda Guerra tão triste e desesperador, que ninguém sairá ileso após assistí-lo, na Netflix

Entre as inúmeras narrativas sobre a Segunda Guerra Mundial, algumas transcendem os relatos bélicos tradicionais para revelar gestos individuais de coragem e humanidade. “Resistência”, dirigido por Jonathan Jakubowicz, entra nesse contexto ao abordar a inesperada trajetória de Marcel Marceau, artista que, antes de se tornar o maior nome da mímica, desempenhou um papel crucial no resgate de crianças judias na França ocupada pelos nazistas.

O filme se inicia com um discurso do general George S. Patton em 1945, moldando a narrativa sob uma perspectiva retrospectiva. A trama reconstrói o passado de Elsbeth, interpretada por Bella Ramsey, uma criança que presencia o assassinato de seus pais na Alemanha de 1938. Salva pela Organização Judaica de Combate, Elsbeth junta-se a outras crianças protegidas pela Resistência Francesa, na qual Marcel emerge como uma figura essencial. Jesse Eisenberg assume o papel de Marceau, entregando uma atuação funcional, embora contestada pelo sotaque inconsistente. No entanto, são Clémence Poésy e Matthias Schweighöfer que elevam a densidade dramática do longa. Poésy confere autenticidade emocional a Emma, enquanto Schweighöfer, na pele de Klaus Barbie, conhecido como “O Carniceiro de Lyon”, traduz a frieza implacável do terror nazista.

A construção da tensão narrativa ocorre a partir do dilema central: permanecer na clandestinidade ou arriscar a travessia dos Alpes rumo à liberdade. O roteiro, embora não inovador, evita a armadilha da superexploração emocional, mantendo um tom contido que reforça a gravidade do tema. Embora remeta a “A Vida é Bela” em algumas passagens, “Resistência” se diferencia ao equilibrar horror e esperança sem recorrer ao sentimentalismo excessivo.

A direção de arte e a fotografia colaboram para a imersão histórica, retratando com fidelidade a opressão nazista e as adversidades enfrentadas pela Resistência. Contudo, o grande mérito do longa está na maneira como exalta o papel da arte como ferramenta de sobrevivência. Marcel utiliza sua mímica para acalmar crianças traumatizadas, transformando o silêncio imposto pelo medo em uma expressão de esperança e resiliência.

“Resistência” pode não reinventar a narrativa da Segunda Guerra, mas reforça a importância de revisitar essas histórias. Sua força está na lembrança de que, em tempos de barbárie, pequenos atos de coragem têm um impacto inestimável. A memória de Marceau não se sustenta apenas na genialidade artística, mas também na coragem de transformar a arte em resistência.

Filme: Resistência
Diretor: Jonathan Jakubowicz
Ano: 2020
Gênero: Biografia/Drama/Guerra/História
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★