A Reserva Imovision, plataforma dedicada ao cinema independente e autoral, traz em abril uma seleção especial de estreias exclusivas e títulos consagrados. A programação do mês destaca filmes que transitam entre o drama, o romance e o experimental, oferecendo ao espectador uma experiência cinematográfica enriquecedora. Entre os lançamentos, há sucessos recentes das telonas, como “Meu Bolo Favorito”, e produções que exploram narrativas instigantes e provocações políticas, como “O Intruso”. Além disso, o mês marca a chegada de duas obras do aclamado diretor português Miguel Gomes e dos primeiros filmes da trilogia “Sex, Love & Dreams”.
A diversidade de estilos e abordagens é um dos grandes trunfos da programação de abril. De narrativas históricas, como “O Charlatão”, a comédias dramáticas, como “Meu Vizinho Adolf”, a curadoria da plataforma garante que cada título agregue uma perspectiva única ao catálogo. Explorando temas como identidade, desejo, solidão e resistência, os filmes selecionados buscam provocar reflexões e desafiar convenções. A seguir, conheça os oito filmes que estreiam na plataforma e descubra mais sobre suas histórias e diretores.

Francisco, um professor infantil prestes a completar 30 anos, se vê em uma crise existencial que o leva a uma jornada onírica e introspectiva. Quando uma misteriosa doença o obriga a se isolar, sua realidade se transforma em uma fábula surreal, onde ele precisa confrontar seu próprio passado e suas escolhas. Com uma estética lúdica e referências ao universo dos contos de fadas, Miguel Gomes constrói uma obra sensível e irônica sobre amadurecimento e autodescoberta, desafiando os limites entre realidade e fantasia.

Inspirado na vida real de Jan Mikolasek, um curandeiro tcheco que desafiou regimes políticos ao longo do século 20, “O Charlatão” aborda o dilema entre a fé inabalável na medicina alternativa e as pressões impostas por governos autoritários. Dotado de um talento incomum para diagnosticar e tratar doenças com ervas medicinais, Mikolasek se torna uma figura controversa, idolatrada por uns e perseguida por outros. A diretora Agnieszka Holland conduz um drama denso e instigante, questionando os limites entre ciência, crença e poder.

Com uma abordagem híbrida entre documentário e ficção, Miguel Gomes captura a efervescência das festividades de verão no interior de Portugal. A narrativa se desenrola entre imagens reais de aldeões celebrando suas tradições e a história ficcional de um pai e uma filha músicos, cujo relacionamento é marcado por tensões e sonhos não realizados. O filme se destaca pela experimentação formal e pelo olhar poético sobre a cultura popular, criando um retrato vibrante e sensorial de um país em movimento.

Mahin, uma mulher de 70 anos que vive sozinha em Teerã, tem sua rotina transformada quando um encontro inesperado em um chá da tarde desperta novas possibilidades para sua vida amorosa. O filme retrata com sensibilidade a solidão na terceira idade e os desafios enfrentados pelas mulheres iranianas em busca de liberdade e autonomia. Com um olhar delicado e performances envolventes, “Meu Bolo Favorito” conquistou o público e a crítica, permanecendo em cartaz por dez semanas nos cinemas.

Parte da trilogia “Sex, Love & Dreams”, “Sex” aborda a crise de identidade de dois homens casados que começam a questionar sua sexualidade após experiências inesperadas. Em um drama de construção sutil e diálogos afiados, o filme investiga os dilemas da intimidade e do desejo, expondo as contradições entre as convenções sociais e a liberdade individual. Estreando no Festival de Berlim, o longa foi aclamado por sua abordagem sensível e pela autenticidade das performances.

Na sequência da trilogia, “Love” acompanha uma médica independente que inicia um relacionamento com um enfermeiro cuja visão sobre afeto e compromisso desafia suas crenças. O filme explora com delicadeza as complexidades das relações modernas, confrontando expectativas, inseguranças e a fluidez do amor. Estreando no Festival de Veneza, “Love” se destaca por sua narrativa introspectiva e pela forma como questiona padrões estabelecidos, oferecendo uma reflexão instigante sobre o significado dos vínculos afetivos.

Na América do Sul dos anos 1960, um solitário sobrevivente do Holocausto começa a suspeitar que seu novo vizinho seja Adolf Hitler. O filme mescla drama e humor ácido ao construir uma narrativa tensa e repleta de reviravoltas, explorando os traumas da guerra e os fantasmas do passado. Com atuações marcantes e um roteiro engenhoso, “Meu Vizinho Adolf” levanta questões sobre paranoia, justiça e memória, trazendo um olhar singular sobre o pós-guerra. Exibido no Festival de Locarno, o longa foi elogiado por sua abordagem provocativa e instigante.

Bruce LaBruce retorna com uma obra que mistura pornografia, política e crítica social de maneira provocativa. “O Intruso” acompanha um jovem refugiado que surge misteriosamente nu dentro de uma mala às margens do Tâmisa. Acolhido por uma família burguesa, ele começa a seduzir seus membros, desencadeando uma série de tensões e revelações que desestruturam o ambiente. Com um olhar afiado sobre xenofobia, racismo e hipocrisia, o filme escancara os delírios da elite ocidental, reafirmando o estilo transgressor do diretor. Exibido no Festival de Rotterdam, “O Intruso” é um dos lançamentos mais impactantes do mês.