Remake de terror dos anos 1990, com Kiefer Sutherland, está na Netflix Divulgação / Columbia Pictures

Remake de terror dos anos 1990, com Kiefer Sutherland, está na Netflix

Refazer um clássico é sempre uma tarefa arriscada, especialmente quando a obra original deixou uma marca duradoura no imaginário coletivo. “Além da Morte” tenta revisitar a essência do longa de 1990, que explorava os limites entre a vida e a morte por meio de experimentos médicos conduzidos por jovens ambiciosos. No entanto, a nova versão tropeça ao transformar um conceito instigante em uma narrativa que, apesar de bem produzida, carece da profundidade necessária para sustentar sua premissa.

A trama gira em torno de Courtney (Ellen Page), uma estudante de medicina obcecada por compreender os mistérios da morte. Carregando um trauma do passado, ela decide testar os limites da ciência ao provocar a própria morte temporária para registrar a atividade cerebral durante o processo. O experimento atrai a atenção de seus colegas Jamie (James Norton), Sophia (Kiersey Clemons), Ray (Diego Luna) e Marlo (Nina Dobrev), que acabam se envolvendo na experiência. O que começa como um estudo ousado logo se transforma em algo mais sinistro quando os participantes retornam da morte com habilidades cognitivas ampliadas e, ao mesmo tempo, perseguidos por manifestações de seus piores arrependimentos.

Embora o conceito inicial seja promissor, a execução do roteiro se contenta com uma abordagem superficial. As questões éticas e científicas que poderiam elevar a narrativa a outro patamar são deixadas em segundo plano, cedendo espaço para uma estrutura previsível que prioriza sustos fáceis em detrimento de uma construção atmosférica mais elaborada. O terror psicológico, que poderia emergir da premissa, dá lugar a sequências convencionais que falham em transmitir a angústia existencial que a história sugere.

O filme demonstra competência técnica. A fotografia aposta em jogos de luz e sombra para criar uma atmosfera etérea nas sequências que retratam o além-vida, e a trilha sonora contribui para a imersão do espectador, reforçando o mistério e a tensão. No entanto, a estética refinada não compensa a falta de um desenvolvimento mais profundo dos personagens e das implicações filosóficas da trama. Enquanto o filme original explorava temas como racismo e bullying para construir conflitos emocionais genuínos, a nova versão dilui essas questões em um drama pessoal centrado em ambições acadêmicas e traumas individuais, o que limita seu impacto.

A participação de Kiefer Sutherland, protagonista do longa de 1990, poderia ter sido um trunfo nostálgico, mas acaba sendo reduzida a uma aparição sem grande relevância. A decisão de não reutilizar seu personagem icônico, Nelson, parece um desperdício de oportunidade, especialmente para os fãs da primeira versão. O elenco jovem entrega atuações competentes, mas seus personagens carecem de profundidade, tornando difícil estabelecer uma conexão real com o público.

À medida que a história se aproxima do clímax, fica evidente a dificuldade do roteiro em sustentar a tensão construída até então. Os elementos de suspense se tornam repetitivos, e a resolução da trama opta por um desfecho apressado e otimista, que enfraquece o impacto da jornada dos personagens. Em vez de um thriller psicológico que desafia o espectador a refletir sobre os mistérios da vida e da morte, o filme se encerra sem deixar uma marca significativa.

“Além da Morte” é uma tentativa estilizada de reviver um clássico, mas sem a substância necessária para justificar sua existência. A ambição inicial se dilui em escolhas narrativas convencionais, transformando um conceito intrigante em um suspense genérico que não consegue transcender sua estética bem elaborada. O resultado é uma experiência visualmente atraente, mas desprovida da força emocional e filosófica que poderia torná-la memorável.

Filme: Além da Morte
Diretor: Niels Arden Oplev
Ano: 2017
Gênero: Drama/Ficção Científica/Mistério/Terror/Thriller
Avaliação: 7/10 1 1
★★★★★★★★★★