“Extinção” (2018), dirigido por Ben Young, tenta se sobressair no cenário ao apresentar uma premissa instigante e um desenvolvimento que, apesar de algumas falhas estruturais, mantém a atenção do espectador até os momentos finais. O filme acompanha Peter (Michael Peña), um homem atormentado por pesadelos recorrentes que parecem anunciar um evento catastrófico. Sua paranoia crescente afeta a relação com a esposa, Alice (Lizzy Caplan), e as filhas, Hanna (Amelia Crouch) e Lucy (Erica Tremblay), até que uma invasão alienígena transforma seus temores em realidade.
Desde o início, a atmosfera de mistério e tensão é bem construída, e a direção de Ben Young, aliada à cinematografia eficiente, cria um senso de urgência palpável. A trilha sonora amplifica o tom inquietante da narrativa, reforçando a sensação de que algo maior está prestes a ser revelado. No entanto, nem todos os elementos funcionam com a mesma precisão. Um dos pontos mais criticados é a forma como as crianças são inseridas na trama. Hanna e Lucy, apesar de desempenharem um papel central no enredo, muitas vezes parecem funcionar mais como dispositivos narrativos do que como personagens com motivações próprias. A insistência em cenas onde o desespero infantil é enfatizado de maneira repetitiva compromete a fluidez da narrativa, tornando alguns momentos excessivamente dramáticos sem uma justificativa convincente dentro do contexto de um thriller sci-fi.
O ritmo do filme oscila entre sequências de ação bem conduzidas e momentos que aceleram demais certas revelações, sem permitir que o espectador absorva plenamente suas implicações. As visões de Peter, que deveriam servir como fio condutor para a grande reviravolta, são tratadas de forma apressada, o que enfraquece o impacto da descoberta final. Quando a verdade vem à tona – a revelação de que Peter e sua família são, na realidade, sintéticos (humanos artificiais) e que os “invasores” são, na verdade, humanos tentando recuperar seu planeta —, há uma sensação de que o roteiro poderia ter explorado mais as implicações filosóficas e emocionais desse conflito. A trama, que sugere um evento de proporções globais, permanece excessivamente centrada na perspectiva individual de Peter, limitando o escopo do que poderia ter sido um comentário mais profundo sobre identidade, memória e sobrevivência.
Os efeitos visuais são, de forma geral, competentes, equilibrando CGI e efeitos práticos de maneira funcional. No entanto, em certos momentos, a integração entre os elementos digitais e os cenários reais não convence completamente, o que compromete a imersão em cenas-chave. O clímax do filme, que deveria ser seu ponto de maior impacto, sofre do problema recorrente de muitas produções do gênero: a exposição excessiva de informações na reta final. O desfecho, ao invés de proporcionar um encerramento memorável, sugere uma possível continuação que nunca se concretizou, deixando uma sensação de anticlimax.
Ainda assim, “Extinção” merece reconhecimento por sua tentativa de oferecer algo novo dentro de um gênero saturado. Seu argumento central, embora subaproveitado em certos aspectos, traz uma abordagem singular sobre invasão e resistência. A reviravolta é um dos pontos mais bem trabalhados da narrativa, sendo construída de maneira sutil ao longo do filme, permitindo que o espectador conecte as peças do quebra-cabeça conforme a trama avança. Esse momento redefine a percepção sobre os personagens e suas motivações, adicionando camadas de complexidade a uma história que, até então, parecia seguir um caminho convencional.
A atuação de Michael Peña é um dos elementos que sustentam o filme. No início, sua interpretação de Peter pode parecer contida demais, mas à medida que os eventos se desenrolam, percebe-se que essa abordagem é proposital. Quando a revelação ocorre, sua performance ganha nova dimensão, ressignificando suas expressões de paranoia e confusão. Lizzy Caplan, como Alice, também entrega uma interpretação sólida, especialmente nos momentos em que precisa equilibrar a fragilidade e a determinação da personagem diante das descobertas sobre sua verdadeira natureza.
No panorama da ficção científica moderna, “Extinção” não se posiciona como um marco do gênero, mas sua tentativa de subverter expectativas e seu enfoque diferenciado na clássica narrativa de invasão alienígena merecem atenção. Se os realizadores tivessem aprofundado melhor os dilemas existenciais da trama e ajustado alguns excessos emocionais, o filme poderia ter se tornado uma referência. Ainda assim, para os entusiastas do gênero, “Extinção” é uma experiência intrigante, que merece ser assistida e analisada sob diferentes perspectivas.
★★★★★★★★★★