Baseado no existencialismo de Sartre e no niilismo de Nietzsche, thriller pós apocalíptico com Forest Withaker está na Netflix Divulgação / Paul Schiff Productions

Baseado no existencialismo de Sartre e no niilismo de Nietzsche, thriller pós apocalíptico com Forest Withaker está na Netflix

Em meio a um cenário de devastação iminente, “Próxima Parada: Apocalipse” se desenrola como um estudo da sobrevivência humana diante do desconhecido. A narrativa não se preocupa em oferecer explicações prontas sobre a origem do desastre, optando por uma abordagem que limita a perspectiva do espectador à experiência dos personagens. Esse recurso narrativo exige engajamento ativo, o que pode frustrar quem prefere histórias mais diretas e explicativas. No entanto, a tensão crescente, construída sem atalhos expositivos, mantém a atmosfera sufocante e imprevisível, colocando os protagonistas em situações que desafiam sua resiliência e moralidade.

O filme brilha ao explorar as dinâmicas humanas em um ambiente hostil. A dualidade entre a cooperação e o egoísmo se manifesta de forma crua, sem dramatizações artificiais. Aqui, os momentos mais impactantes não vêm de cenas de ação espetaculares, mas das escolhas feitas pelos personagens diante da adversidade. A construção psicológica é um dos pontos altos da obra, sustentada por atuações sólidas que capturam a vulnerabilidade e a força dos protagonistas. Os dois protagonistas representam diferentes respostas emocionais ao colapso da sociedade, oferecendo um contraponto interessante entre experiência e impulsividade.

Os efeitos especiais não são meros artifícios estéticos, mas elementos que reforçam a gravidade da situação, tornando crível o cenário de destruição. A trilha sonora e o design de som desempenham papel fundamental na amplificação da tensão, criando momentos de pura imersão. No entanto, apesar de sua qualidade técnica, o filme não escapa de inconsistências narrativas. Algumas decisões dos personagens desafiam a lógica da sobrevivência, como ignorar um trem militar acidentado, repleto de recursos estratégicos, em favor de um veículo avariado. Esses deslizes enfraquecem a credibilidade do roteiro e podem desconectar o espectador mais atento.

O desfecho, propositalmente ambíguo, se torna um dos aspectos mais polarizadores da experiência. A ausência de uma conclusão definitiva pode ser interpretada como um convite à reflexão ou, para alguns, como um descuido narrativo. Se por um lado essa escolha respeita a inteligência do público, permitindo múltiplas leituras, por outro, corre o risco de parecer uma solução conveniente para evitar amarrar todas as pontas soltas. A especulação sobre uma possível continuação ganha força justamente por essa falta de resolução, deixando em aberto se a história foi concebida para se sustentar sozinha ou como parte de algo maior.

Ainda que apresente falhas estruturais,  “Próxima Parada: Apocalipse” tem uma atmosfera envolvente, assim como seufoco no realismo psicológico, evitando os clichês de narrativas apocalípticas tradicionais. Não é uma ficção científica repleta de confrontos espetaculares ou reviravoltas mirabolantes, mas um estudo da condição humana sob pressão extrema. Para quem aprecia histórias que exigem participação ativa do espectador, há camadas interessantes a serem exploradas. No entanto, aqueles que buscam respostas claras e um encerramento bem definido podem sair da sessão com uma sensação de frustração. No saldo final, trata-se de uma produção ambiciosa, com méritos visuais e atuações marcantes, mas que poderia ter sido mais cuidadosa na construção de sua coerência interna.

Filme: Próxima Parada: Apocalipse
Diretor: David M. Rosenthal
Ano: 2018
Gênero: Ação/Drama/Suspense/Thriller
Avaliação: 7/10 1 1
★★★★★★★★★★