Promete tudo e entrega nada: o terror falho de uma grande franquia, na Netflix Scott Garfield / Netflix

Promete tudo e entrega nada: o terror falho de uma grande franquia, na Netflix

Lançado sem aviso prévio logo após o Super Bowl de 2018, “O Paradoxo Cloverfield” surgiu como uma tentativa ousada da Netflix de inovar na distribuição cinematográfica. No entanto, essa estratégia arrojada não foi suficiente para encobrir as fragilidades estruturais do filme, que, apesar de uma premissa intrigante, tropeça na execução e no desenvolvimento narrativo.

A história acompanha um grupo de cientistas a bordo de uma estação espacial que, ao ativar um experimento energético revolucionário, acaba abrindo brechas entre dimensões, desencadeando eventos caóticos e inexplicáveis. A proposta tem potencial e insere elementos da ficção científica clássica com ecos de “Alien” e “Event Horizon”, mas a trama se perde em sua própria ambição. A relação com o universo “Cloverfield” soa forçada, como se o roteiro tivesse sido adaptado de um projeto independente para se encaixar na franquia, sem a coesão necessária.

O longa apresenta uma direção de arte competente e um design de produção que transmite bem a atmosfera claustrofóbica do espaço. A cinematografia aposta em ângulos dinâmicos e na iluminação estratégica para reforçar a sensação de isolamento e imprevisibilidade. No entanto, esses aspectos técnicos, embora eficazes, não são suficientes para sustentar a narrativa vacilante.

O elenco, liderado por Gugu Mbatha-Raw, tenta trazer peso emocional à trama, mas os personagens faltam profundidade. Seus dilemas e motivações são apresentados de forma superficial, tornando difícil criar uma conexão genuína com o público. Os momentos de tensão, que deveriam ser o ponto alto do filme, acabam diluídos pela falta de um arco narrativo sólido.

O maior problema de “O Paradoxo Cloverfield” está no desequilíbrio entre suas ambições e sua execução. A ideia de explorar realidades alternativas e seus impactos no universo da franquia poderia ter rendido um thriller instigante, mas a abordagem fragmentada e os clichês narrativos minam essa possibilidade. Em vez de expandir o mito de “Cloverfield”, o filme se torna um apêndice dispensável, que pouco adiciona ao legado da série.

A grande surpresa do longa não foi sua trama ou suas reviravoltas, mas sim sua estratégia de lançamento. A decisão da Netflix de disponibilizá-lo imediatamente após um dos maiores eventos televisivos do ano gerou um burburinho inicial, mas não foi capaz de sustentar o interesse do público a longo prazo. “O Paradoxo Cloverfield” é , assim, uma experiência frustrante: cheia de ideias promissoras, mas incapaz de concretizá-las de maneira satisfatória.

Filme: O Paradoxo Cloverfield
Diretor: Julius Onah
Ano: 2018
Gênero: Ficção Científica/Terror/Thriller
Avaliação: 7/10 1 1
★★★★★★★★★★