Se desligue de tudo e dê folga para sua cabeça: comédia romântica na Netflix vai te fazer relaxar Divulgação / Netflix

Se desligue de tudo e dê folga para sua cabeça: comédia romântica na Netflix vai te fazer relaxar

Entre o escapismo da comédia romântica e os limites de um roteiro previsível, este filme tenta se posicionar dentro do gênero com a mesma leveza de “Entrando Numa Fria”, mas sem atingir o mesmo grau de sofisticação narrativa. A história acompanha Hanna e Samuel, um casal de Estocolmo cujo casamento se torna um campo de batalha emocional quando suas famílias decidem se envolver na celebração. O que poderia ser uma comédia de situação bem calibrada, repleta de nuances e conflitos relacionáveis, acaba por se render à previsibilidade de embates familiares superficiais e soluções convencionais, minando a força dramática da trama e comprometendo seu impacto.

O enredo se apoia em estereótipos amplamente explorados, desde a dicotomia entre a vida urbana e o interior até a figura caricatural da matriarca dominadora. Se por um lado essa abordagem facilita a conexão imediata com o público, por outro, limita as possibilidades narrativas, impedindo o filme de oferecer algo realmente inusitado ou memorável. O romance entre os protagonistas carece de profundidade emocional, funcionando mais como um elemento acessório do que como o motor central da narrativa. A falta de uma exploração mais detalhada da relação entre Hanna e Samuel antes da turbulência familiar faz com que o público tenha dificuldade em se envolver verdadeiramente com seus dilemas.

Apesar dessas limitações, há aspectos que conferem certo encanto ao longa. A cinematografia explora com habilidade as paisagens da ilha de Gotland, transformando o cenário em um personagem adicional, capaz de transmitir uma sensação de acolhimento e isolamento simultaneamente. A trilha sonora também se destaca, oferecendo momentos de suavidade e complementando a atmosfera da produção. No entanto, a direção opta por um ritmo irregular, alternando entre sequências de humor físico e momentos que deveriam carregar maior peso emocional, mas que acabam diluídos pela superficialidade do roteiro.

A tentativa de criar um humor leve e acessível não é necessariamente um erro, mas a ausência de uma construção mais refinada dos personagens torna difícil estabelecer uma conexão autêntica com a história. Com mais atenção aos detalhes psicológicos dos protagonistas e um tratamento mais sofisticado dos conflitos, o filme poderia ter se destacado dentro do gênero. No entanto, ao seguir caminhos excessivamente seguros e dependentes de clichês, ele se torna apenas uma distração passageira, sem o fôlego necessário para deixar uma impressão duradoura.

Para aqueles que buscam uma comédia descompromissada, repleta de paisagens idílicas e momentos de humor previsível, a produção pode cumprir seu papel. No entanto, quem espera uma narrativa romântica envolvente ou uma abordagem mais inovadora dentro do gênero pode encontrar dificuldades em se conectar com a superficialidade das relações retratadas. A história tinha potencial para ser uma reflexão mais aprofundada sobre dinâmicas familiares e expectativas sociais dentro do casamento, mas opta por um caminho seguro, sem grandes riscos ou surpresas. O resultado é um filme que entretém, mas que dificilmente será lembrado além de sua duração na tela.

Filme: Os Altos e Baixos do Amor
Diretor: Staffan Lindberg
Ano: 2025
Gênero: Comédia/Romance
Avaliação: 7/10 1 1
★★★★★★★★★★