Muita gente não gosta de coentro. Eu até gosto, mas entendo que haja quem não goste, afinal, ele tem um sabor forte, com muita personalidade. Quando a cozinheira exagera, o coentro monopoliza o sabor do prato, toma o gosto da comida para si, e tudo fica com gosto de coentro. No Brasil, usa-se bastante coentro, tanto que muitas feijoadas deveriam se chamar “coentradas”. Mas eu não sou especialista em gastronomia. Só estou falando tanto sobre coentro porque descobri que essa questão de roubar o gosto para si não existe apenas na culinária.
Sim, no nosso dia a dia também existem as Pessoas-coentro. Quem são elas? São aqueles sujeitos que fazem com que qualquer assunto acabe ficando com o mesmo gosto. Você joga um tema na mesa e, em dois minutos, a Pessoa-coentro já virou a conversa para o seu tema único, enchendo o diálogo com seu Assunto-coentro.
Não importa sobre o que se está falando, em algum momento a Pessoa-coentro colocará a culpa no capitalismo selvagem ou, no extremo oposto, nos comunistas. Ela desvia qualquer conversa para falar mal do Lula ou, no outro extremo, para criticar Bolsonaro. A Pessoa-coentro é capaz de transformar uma discussão sobre um impedimento mal marcado em um debate político, porque política é seu único tema de vida.
Outra Pessoa-coentro consegue fazer um debate político virar uma análise sobre os signos dos envolvidos, já que, para ela, tudo tem a ver com astrologia. Outra sempre traz qualquer conversa para uma exaltação ao seu time do coração. Alguns só pensam em doenças e só falam sobre isso. E há aqueles que assistiram a uma palestra motivacional e acreditam que precisam convencer todos ao seu redor a seguirem os ensinamentos do coach de plantão.
Essas são as Pessoas-coentro, que fazem todas as conversas ficarem iguais, deixando tudo com o mesmo gosto — o sabor de seus Assuntos-coentro.