355 dias sem sair do Top 10: o filme bilionário que virou um vício global

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Alguns segredos da indústria cinematográfica parecem ser privilégio de poucos: o êxito de franquias que se repetem incessantemente com pequenas variações, personagens familiares e tramas renovadas para cativar o interesse contínuo do público. Michael Bay, com maestria, entregou a Adil El Arbi e Bilall Fallah uma narrativa coesa, permitindo que a dupla marroquino-belga comandasse “Bad Boys para Sempre” (2020). Este filme explorou temas delicados de abuso policial em um momento crítico, apenas dois meses antes da pandemia de covid-19 mergulhar o mundo em paranoia e incerteza.

Agora, com “Bad Boys: Até o Fim”, o quarto capítulo da franquia, questões políticas e sociais persistem, embora de forma menos sutil. A produção, nascida em 1995 e sustentada por acordos previsíveis entre diretores, estúdios e protagonistas, retorna com uma nova missão para os detetives Mike Lowery e Marcus Miles. A grande dúvida é: essa continuação realmente se justifica?

A violência, a individualidade extrema e a perda de valores coletivos definem o cenário contemporâneo, onde até as rotinas cotidianas parecem um desafio. Mike, que no filme anterior escapou da morte, agora vê seu parceiro Marcus sofrer um infarto durante uma celebração. A maturidade transformou os dois: Mike, antes o solteirão incansável e impulsivo, revela cansaço de seu papel de sedutor; Marcus, o lado racional da dupla, abraça a vida de avô.

A morte do capitão Conrad Howard (Joe Pantoliano) adiciona uma camada emocional à trama, enquanto piadas sobre o caos do trânsito e doces coloridos sustentam o humor clássico. Smith e Lawrence mantêm a química que sempre atraiu os fãs. Contudo, fica a sensação de que o filme talvez não passe de um esforço dispensável para revisitar velhas fórmulas.

Filme: Bad Boys: Até o Fim
Diretor: Adil El Arbi e Bilall Fallah
Ano: 2024
Gênero: Ação/Comédia
Avaliação: 7/10 1 1
★★★★★★★★★★