Top 1 mundial em 24 horas: o filme da Netflix que quebrou recordes em 100 países em 2024 Christopher Raphael / Netflix

Top 1 mundial em 24 horas: o filme da Netflix que quebrou recordes em 100 países em 2024

Yeshua, Muhammad, Siddharta Gautama, Vishnu — Deus assume a forma que quisermos, seja ele um redentor, um tirano, um filósofo desprendido ou um andarilho em uma existência brutal e solitária. Thomas Hobbes, em seu clássico “Leviatã”, sintetizou a vida humana como curta e sórdida. Já Baruch Spinoza enxergou a divindade presente em tudo, propondo um Criador que se expressa numa dualidade paradoxal: a perfeição imutável de sua essência e a fragilidade perecível da matéria. Porém, a humanidade sempre optou pelo colapso em vez da transformação, pelo fim em vez da redenção.

Em “Virgem Maria”, D.J. Caruso surpreende ao transitar de filmes de ação frenética, como “xXx: Reativado”, para uma narrativa de profunda reflexão espiritual. A obra centra-se na jovem Maria, uma simples nazarena dotada de uma sabedoria intuitiva, que aceita o papel de mãe do Salvador com resignação e coragem. Esta ótica humaniza a figura de Maria, revelando a nobreza de seu sacrifício sem recorrer à pieguice ou à superficialidade comum a filmes religiosos.

A religião, frequentemente tachada como “ópio do povo”, continua a oferecer consolo e redenção a milhões, especialmente em contextos de desespero e falta de perspectivas. Essa mesma força espiritual, porém, gera interpretações distorcidas e abre espaço para charlatões e falsos profetas. Tais distorções reforçam preconceitos e geram ataques, como os dirigidos a Noa Cohen, atriz israelense escolhida para viver a Virgem Maria. Seu talento supera polêmicas identitárias, e Timothy Michael Hayes, roteirista, a auxilia ao construir uma narrativa que remonta à esperança de Joaquim e Ana por um filho.

A cena da revelação de Gabriel a Joaquim, no deserto, é um ponto alto do filme. Essa conexão entre o nascimento de Maria e a futura chegada de Cristo é uma jogada narrativa que merece reconhecimento. A atuação de Anthony Hopkins como Herodes dá um tom sombrio e ameaçador, mas é Noa Cohen quem carrega o filme, oferecendo uma interpretação que oscila entre fragilidade e poder.

“Virgem Maria”, em sua essência, é um lembrete de que a história da fé é também a história de pessoas comuns que aceitam destinos extraordinários, provando que a coragem e a devoção transcendem o tempo.

Filme: Virgem Maria
Diretor: D.J. Caruso
Ano: 2024
Gênero: Drama/Épico
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★