Inspirado no livro “The Dark Fields”, de Alan Glynn, o filme “Sem Limites”, roteirizado por Leslie Dixon e dirigido por Neil Burger, estreou em 2011 com Bradley Cooper no papel principal. Rodado em locais icônicos como Filadélfia, Nova York e Puerto Vallarta, no México, o longa conta com uma carga emocional adicional para Cooper, que lidava com a grave doença de seu pai, falecido logo após as filmagens.
A trama gira em torno de Eddie Morra (Cooper), um escritor em queda livre, atolado em um bloqueio criativo que ameaça sua carreira e sua vida pessoal. Pressionado por prazos e abandonado pela namorada, Lindy (Abbie Cornish), Eddie parece incapaz de superar sua apatia e falta de perspectiva. A narrativa ganha um giro dramático quando Eddie reencontra Vernon Gant (Johnny Whitworth), seu ex-cunhado com um passado sombrio. Vernon apresenta ao protagonista o NZT-48, uma droga experimental que promete liberar todo o potencial do cérebro humano. Relutante, Eddie cede à curiosidade e experimenta o comprimido, desencadeando uma reviravolta em sua existência.
Sob a influência do NZT-48, Eddie se torna uma versão amplificada de si mesmo. Sua produtividade explode, ele quita dívidas, reorganiza sua vida e avança no livro estagnado com velocidade e brilhantismo impressionantes. Contudo, a euforia dura apenas 24 horas, e a busca por mais comprimidos o leva a Vernon novamente. O desenrolar de eventos, incluindo o assassinato de Vernon, entrega a Eddie um estoque da substância, que ele utiliza para impulsionar sua meteórica ascensão no mundo financeiro. É nesse cenário que Eddie cruza o caminho de Carl Van Loon (Robert De Niro), um influente investidor que enxerga no jovem uma peça valiosa para seus esquemas ambiciosos.
Porém, o uso contínuo do NZT-48 revela um custo alarmante. Eddie enfrenta efeitos colaterais debilitantes e vê sua saúde mental e física se deteriorar rapidamente. Enquanto tenta lidar com os danos causados pela droga, ele se torna alvo de Gennady (Andrew Howard), um agiota perigoso, e precisa desvendar a misteriosa morte de Vernon, tudo isso enquanto luta para manter a imagem de um prodígio intocável.
Embora fictício, o NZT-48 lança luz sobre uma discussão real sobre nootrópicos — substâncias que prometem amplificar as capacidades cognitivas. A narrativa provoca reflexões sobre até que ponto essas promessas são fundamentadas ou meros placebo. Além disso, levanta questões éticas sobre a busca incessante por atalhos para o sucesso e as consequências de se manipular a natureza humana. O filme sugere que a chave para o êxito talvez não resida em soluções milagrosas, mas na autoconfiança, esforço e persistência.
“Sem Limites” vai além do entretenimento ao explorar dilemas morais profundos. A obra desafia o espectador a ponderar sobre os limites éticos da ambição desmedida e o custo real de atalhos para o poder. A reflexão central questiona: até onde estamos dispostos a ir para alcançar nossos objetivos? E mais importante, qual é o preço que estamos dispostos a pagar — em saúde, integridade ou relações — por resultados aparentemente rápidos, mas possivelmente devastadores? “Sem Limites” convida a uma introspecção sobre o valor do trabalho árduo e o perigo de perder-se na busca por sucesso a qualquer custo.
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