O filme tenso e fascinante da Netflix que vai te levar para dentro dele e te paralisar por 114 minutos Divulgação / Nick Briggs

O filme tenso e fascinante da Netflix que vai te levar para dentro dele e te paralisar por 114 minutos

Os filmes de espionagem muitas vezes são um reflexo intricado das realidades geopolíticas que moldam nosso mundo, intercalados com narrativas pessoais de traição, lealdade e dualidade. “O Anjo do Mossad” (2018), dirigido por Ariel Vromen, é uma investigação detalhada dessas dinâmicas, ancorada firmemente na vida e nas controvérsias de Ashraf Marwan.

Ao abordar o duplo jogo de Marwan, o filme não apenas mergulha nas águas profundas da espionagem internacional, mas também se envolve com o turbilhão emocional interno de seu protagonista. O Mossad, um dos serviços de inteligência mais respeitados do mundo, e o Egito, uma nação determinante no Oriente Médio, fornecem o cenário para esta trama complexa. No entanto, ao olhar além dos jogos de poder, somos confrontados com os dilemas pessoais de Marwan, ligados tanto à sua relação com seu sogro Nasser quanto à sua crescente proximidade com Sadat.

A ambientação nas cidades de Londres e Cairo, recriada por Vromen, não é mera ornamentação. Ela serve para contrastar o cosmopolitismo europeu com a vitalidade árida do mundo árabe, um reflexo do próprio equilíbrio de Marwan entre dois mundos. Cada local oferece um olhar sobre a vasta rede de relações de Marwan, desde os corredores do poder egípcio até os becos sombrios da espionagem internacional.

A relação conturbada entre Marwan e seu poderoso sogro, Nasser, é central para a narrativa. Em sua escolha de trabalhar para o Mossad, Marwan não apenas desafia a autoridade de um líder estabelecido, mas também navega nas águas traiçoeiras das próprias lealdades familiares. Vromen habilmente transita entre esses conflitos pessoais e o panorama geopolítico mais amplo, evitando a simplificação ou caricaturização de ambos.

Marwan Kenzari, no papel titular, entrega uma performance medida, capturando as nuances de um homem dividido. Seu retrato de Marwan é um estudo sobre conflitos internos, movendo-se entre lealdades contraditórias e obrigações, enquanto lida com as consequências dessas escolhas no palco mundial.

“O Anjo do Mossad” proporciona uma análise rica e multifacetada de uma figura histórica controversa. Enquanto o filme destaca o xadrez político do Oriente Médio dos anos 1970, ele também é um lembrete contundente das batalhas internas que os indivíduos enfrentam, independentemente do cenário global em que estão inseridos.


Filme: O Anjo do Mossad
Direção: Ariel Vromen
Ano: 2018
Gêneros: Espionagem/Thriller/Ação
Nota: 9/10