Novo fenômeno do terror no cinema acaba de chegar na Netflix Felipe Hernández / Netflix

Novo fenômeno do terror no cinema acaba de chegar na Netflix

Um crime acidental muda o curso de um grupo de estudantes universitários desesperados por se tornar escritores. Nas palavras de seu professor de redação, as histórias de terror não são boas, porque falta autenticidade. Todos que as escrevem estão copiando outra pessoa. E Carlos García Miranda, autor de “O Clube de Leitores Assassinos”, livro que inspirou o filme não foge da regra. Sua história é um aglomerado de coisas e clichês que ele trouxe de outras, especialmente das hollywoodianas. Dentre as referências, o visual oitentista, menções a Stephen King e até semelhanças com “Pânico”, de Wes Craven.

Filme de Carlos Alonso Ojea, o slasher começa com uma mulher sendo incinerada em uma biblioteca. O enredo pula seis anos e vai parar em uma universidade espanhola, onde um grupo de oito amigos aficionados em histórias de terror se reúnem em uma sala nos porões obscuros do prédio, cedido pela própria direção da instituição, para seu clube de leitura.

Entre os estudantes está Angela (Veki Velilla), uma jovem com fobia de palhaços  e que luta contra um bloqueio criativo e sonha em escrever seu próprio livro. Quando ela pede uma reunião com seu professor de redação para buscar algum conhecimento e inspiração, o docente confunde as coisas e tenta agarrá-la em seu escritório, prometendo que se ela contar algo a alguém, ele acabará definitivamente com sua carreira na literatura antes mesmo dela começar.

Angela compartilha o trauma com seus colegas do clube de leitura, que arma uma pegadinha para o professor. No entanto, a brincadeira termina em tragédia e o corpo do homem amanhece empalado na fonte do pátio da universidade. O grupo decide omitir sua participação na fatalidade, mas alguém escondido pode ter visto tudo e não vai deixá-los impunes.

Horas depois do dia amanhecer e do corpo do professor ser encontrado, provocando verdadeira comoção e polvorosa na comunidade acadêmica, o primeiro capítulo de uma história de terror é publicado em uma plataforma on-line, descrevendo exatamente como os oito alunos foram culpados pela morte do homem, mas sem revelar suas identidades.

No dia seguinte, uma das estudantes do clube do livro, Virgínia (Priscilla Delgado), desaparece. Um novo capítulo é publicado on-line descrevendo sua morte após ela tentar fugir para a casa da mãe. Angela e Sebas (Alvaro Mel) tentam seguir os rastros descritos pelo autor, mas não encontram o corpo. Então, um por um dos estudantes do clube vão desaparecendo misteriosamente ou morrendo de maneira sangrenta pelas mãos de um assassino que utiliza uma máscara macabra de palhaço, exatamente como as que eles usaram para pregar a peça no professor.

Veki Velilla é a que mais aparece em cena, dividindo os momentos mais importantes da trama com os colegas Alvaro Mel e Iván Pellicer, com quem forma um triângulo amoroso. Os demais personagens têm poucos momentos em frente às telas, mas conseguem desempenhar com competência seus papeis, embora nenhum exija atuações muito complexas, com exceção da protagonista.

Previsível, “O Clube de Leitores Assassinos” escorrega em vários clichês do gênero, se dedicando mais aos efeitos gore que à riqueza dos diálogos e da história, que em muitos momentos parecem bobinhos e preguiçosos, e que não agradarão em todos os detalhes os fãs mais exigentes de slasher. A polícia nunca aparece para investigar os crimes, embora o grupo fale o tempo todo sobre ir à delegacia contar o que está acontecendo. Afinal de contas, que universidade seguiria normalmente sua rotina com uma onda de assassinatos ocorrendo dentro de seus portões?

Se você não quer se concentrar em uma história mais elaborada, apenas se divertir e rir de alguns exageros gore, “O Clube de Leitores Assassinos” pode ser o passatempo ideal para você.


Filme: O Clube de Leitores Assassinos
Direção: Carlos Alonso Ojea
Ano: 2023
Gênero: Terror/Mistério
Nota: 7/10

Fer Kalaoun

Fer Kalaoun é editora na Revista Bula e repórter especializada em jornalismo cultural, audiovisual e político desde 2014. Estudante de História no Instituto Federal de Goiás (IFG), traz uma perspectiva crítica e contextualizada aos seus textos. Já passou por grandes veículos de comunicação de Goiás, incluindo Rádio CBN, Jornal O Popular, Jornal Opção e Rádio Sagres, onde apresentou o quadro Cinemateca Sagres.