O arroto e a flatulência no aquecimento global
Cena 1: A bomba ecoescatológica —
Que negócio é esse — vinha-me perguntando — de sempre responsabilizar apenas ao boi pela emissão de gás metano (CH4), via arroto e flatulência — pois é, o peido —, no seu processo de ruminação? Humana curiosidade. De passagem, dando-se asas à imaginação desocupada, e posto que o gás metano é um tremendo explosivo, vislumbre-se uma flatulência global, coletiva e simultânea, e aí no meio alguém que, inadvertidamente, acenda um isqueiro para o seu cigarro. Bummm! Lá se vai a humanidade, com o estrondo de uma explosão nuclear, com o impacto e o gigantesco cogumelo da bomba atômica detonada no deserto de bélicas experiências. A bomba cômica que seria — o grande peido —, não fosse trágica. Eleve-se isso ao quadrado e teremos a bomba cósmica.
Dirão que essa idéia flatulenta aqui soa como coisa de gente desocupada, que não se leva a sério, nem por isso virem dizer que temos titica na cabeça, embora concordes em que a mente desocupada é oficina do diabo, contudo sabendo que muitas mentes “seriamente” ocupadas se ocupam do próprio diabo, pois então se ocupam do mal. Se os homens realmente se levassem a sério, o mundo não seria o que é. Mas imagine-se a cena, só para se ter uma idéia da coisa: a flatulência coletiva, momentaneamente concentrada, um palito de fósforo e a espetacular explosão que se segue — similar ao big-bang de cósmica nebulosa —, e ali o fuliginoso e sulfuroso cogumelo da humana fedentina. Donde se deduz que o homem — esse boneco inflado, cheio de poses —, é mesmo um saco de ossos e tripas. Uma coisa cheia de vento, ou de gases, como queiram.
Agora falando a sério. Relatório divulgado em 2006, pela FAO – Organização para Alimentação e Agricultura da ONU, aponta como insustentável a situação de criação de gado, cujo impacto, segundo o documento, deve ser reduzido à metade. Afirma-se que o gado bovino, ruminando, arrotando e soltando gases intestinais, é responsável pela emissão de gás metano, sendo este 23 vezes mais nocivo do que o dióxido de carbono — ou gás carbônico —, produzido pelo homem. Mas então não se levam também em conta as emissões humanas por conta do arroto e da flatulência? Só porque o homem não come capim e não rumina, e não masca senão o coco de seus pensamentos, enquanto coça os cocos do saco? E não é mesmo curiosa, essa isenção do homem na emissão de ecopeidos? — peidos com eco, pois os há silenciosos, por mais infames e surpreendentes.
Calcula-se que cada boi responde pela emissão de 50 quilos de gás metano por ano. Se o Brasil — começando por nossa própria casa — possui cerca de 200 milhões de cabeças de boi, a 50 quilos por cabeça, são dez toneladas anuais de gás metano. Multiplicadas por 23 vezes mais de nocividade do metano em relação ao dióxido de carbono (CO2), obtem-se mais de 200 toneladas que, dizem, corresponde a toda a matriz energética do Brasil, industrial e de veículos. Mas há controvérsias quanto ao papel do metano nessa questão do aquecimento.
Como se informa, o dióxido de carbono é naturalmente produzido por meio da respiração, bem como pela decomposição vegetal e animal, além das queimadas naturais em florestas. Por parte do homem, o dióxido de carbono se produz com a queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras alterações na vegetação, além da queima de biomassa e da fabricação de cimento. Detalhe: se o nocivo dióxido de carbono é produzido por meio da respiração, também não se quer que o homem pare de respirar, pois não? Pelo que se entende na questão ambiental, um dos pontos é que o homem respire melhor. Por outro lado — ou pelo tubo de escape —, afirma-se que nos quesitos de arroto e flatulência a emissão de gás metano pelo homem é ínfima. Pode até ser ínfima, mas é infame, por razões óbvias ao nariz. De restro, faz parte da mísera condição humana.
De acordo com a defensoria do planeta ou movimento do aquecimento global, o dióxido de carbono é o que mais contribui para o aumento da “forçante radioativa” dos gases de efeito estufa. Para estabilizar as concentrações que estão presentes nos dias de hoje, seria necessário uma redução de 60% na emissão global de dióxido de carbono. No que toca às ações predatórias do homem, há quem diga que a natureza se vinga, sendo de supor-se, nesse caso, que quem sobreviver, verá, tão certo quanto um dia após o outro com a certeza da morte. A propósito, segundo dona Antônia, minha sogra, Deus disse ao homem: vai andando, meu filho, que depois eu te busco...
Ou seja: lembra-te que és mortal. Enquanto isso, nesse morre-não-morre, bom seria que o homem, olhando para o seu filho pequeno, vislumbrasse o futuro e atentasse para o pedido do Pequeno Príncipe — “Desenha-me um carneiro” — ao aviador que fizera pouso de emergência no deserto do Saara, na imortal criação do escritor e também piloto francês Antoine de Saint-Exupèry. E fosse ali não o Pequeno Príncipe da história criada por Exupéry, mas o filho a pedir que o pai lhe faça um desenho. “Desenha-me um planeta” — pediria o garoto. Isto seria o começo de uma outra história, no planeta do aquecimento global e do esquecimento moral. Fábula ou quimera? Penduram-se no espaço as estrelas da fantasia. Uma parte do mundo sonha com um mundo sem pesadelos, bélicos ou ecológicos. Outra parte esboça um carneiro, e não é para o Pequeno Príncipe, mas para o menino que pediria o desenho de um planeta. Tem o carneiro, bicho marrão, símbolo dos maus instintos, a cara animal da humana estupidez. Qual será, então, o próximo episódio?
Cena 2: Shakespeare e o esfíncter —
Há quem se plugue a querer que a luz em Copenhague de todo não se apague, que apegue-se a si a mecha da esperança, pois, se “há algo de podre no reino da Dinamarca”, como diria Shakespeare, não é dela, particularmente, o odor de decomposição ambiental que frustrou o encontro diplomático. Mas então seria — seria-o, seguramente? — daquelas figuras, águia e dragão, que sairam do grande encontro diplomático como se querendo correr, fugindo dos olhares do mundo, e que, de passagem, deixaram em Copenhague as “brumas da incerteza”, quando se diz que são os responsáveis por 40% das emissões de carbono que enfumaçam o planeta? E já não foi também assim em relação ao Tratado de Kyoto, que, juntamente com outros países, se negaram a assinar? Algo de podre? Quem, agora, põe as mãos no fogo? Quem, com a devida transparência e honestidade, poderá esclarecer o engima? Fala, Esfinge!
Fraude do aquecimento global, quando se alardeia que o planeta vai mal? Subestimar o que está acontecendo, com todas as catástrofes e consequências? Tem febre, o planeta, e somos agora um planeta febril, a caminho de esturricar-nos? Falácia catastrófica? Degelo das calotas polares, rebelião dos mares, estragos, destruição, vidas despedaçadas. São coisas de causas naturais, nos dizem agora. São reprises da natureza. Se o aquecimento global é uma farsa, uma fraude, um embuste, deve ser por isso que está fazendo um frio danado. Sinta-se o calafrio das fornalhas do inferno. Não vem ao caso, mas uma coisa puxa outra e me lembro de matéria turística que fiz sobre o Sul brasileiro, a qual intitulei assim: “O caloroso inverno do Sul”. Quem tem medo do aquecimento global?
A saber, a fundo, quem ou o quê está por trás de tudo. Se a favor ou contra, a que interesses atende? Dinheiro, muito dinheiro, dizem os “cientistas de escol”. Isso diz tudo? Movimento ecológico versus ciência. De que lado você se coloca? De quem, no contexto da questão planetária, maior o arroto e mais sulfurosa a flatulência? É do homem. Não. É do boi. Já o boi não é o homem e o homem não é o boi? Ou não dá para se entender em termos holísticos? Já nem tanto se trata de tapar o nariz ou sair de perto da flatulência, mas de saber qual é a do esfíncter além do processo de elasticizar-se à pressão dos gases e de contrair-se após liberá-los. Pois vem um e diz que não se trata mais de preservação, mas de caráter de urgência para a sobrevivência do planeta. Outro vem e fala de conivência ou conveniência ao fazer-se de cego numa hora dessas. Ainda outro aponta que o aquecimento global é visível e palpável. Alertam e garantem que o quadro é grave, como já é trágico. E, afinal, tudo então não passa de uma fraude? Por que não disseram isso antes? Não têm os cientistas, no âmbito científico, o dever de informar e esclarecer os fatos à sociedade? Sim, vão nos dizer que nem tudo se revela. Mas o que faziam enquanto tudo acontecia? Por que deixaram a coisa ir tão longe e chegar a esse ponto? Onde estavam? Por que ficaram quietos enquanto se montava o que agora chamam de o grande carnaval do aquecimento global? Medo de represálias, como agora se alega? Omissão? Todos acomodados? Cada um na sua? São perguntas do nosso aturdimento, enganados — se não me engano — por tanto tempo.
Como se viu — come-se o vil civil —, explodiu aí a bomba do documentário “A grande fraude do aquecimento global" (“The Great Global Warming Swindle”), dirigido por Martin Durkin, e mostrado pela televisão britânica. “Uma das mais devastadoras denúncias já feitas sobre a falta de base científica do catastrofismo — grifo nosso — que tem caracterizado as discussões sobre as mudanças climáticas e os temas ambientais em geral”. Como assim, falta de base científica, com tantos cientistas envolvidos na questão? Então são todos charlatões, já que, conforme afirmam, seus currículos não batem com o que dizem que são? E será por conta de prévio conhecimento dessa grande farsa terem os supostos vilões se negado a assinar acordo em Kyoto e Copenhangue? Após assistir ao referido documentário, instiga ao leigo indagar: e agora?, a quem eu me dirijo?, quais são mesmo os vilões da história? Quais os comparsas ou os omissos?
O que lemos sobre o documentário — o negrito é nosso: “Contando com a participação de cientistas de escol, o filme deixa claro que as variações de temperatura observadas desde meados do século XIX são perfeitamente compatíveis com os ciclos naturais registrados ao longo da história do planeta. Durkin está satisfeito e otimista com a enorme repercussão do trabalho, que tem sido apontado como um poderoso contraponto ao documentário sensacionalista ´Uma verdade inconveniente´, protagonizado pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore (cuja versão em livro acaba de ser publicada no Brasil pela Editora Manole).”
O que ouvimos pelo vídeo do documentário: “O CO2 não é responsável pelo aquecimento.” “Desde o século XIX a temperatura na Terra só aumentou meio grau Celsius.” “O aquecimento global se tornou um grande cabide de empregos, um grande negócio, uma grande indústria por si mesma.” “O aquecimento global pode não ser um problema.” “Os dados falseiam as provas.” “O movimento ambientalista se transformou na maior força para impedir o desenvolvimento dos países dubdesenvolvidos.”
Detalhe, só para engrolar a coisa um pouco mais: Quando afirmam que o aquecimento global “pode não ser” um problema, não implica supor, então, que pode ser? Mais claramente, sem ambiguidade, sim ou não? “Ou é ou deixa de é.” Assim falava — “also sprach” — minha tia Rosa. Tudo se relaciona. E se tudo é relativo (Einstein), o que nos garante, seguramente, o que quer que seja? Já quando comentam que o movimento ambientalista se transformou na maior força para “impedir o desenvolvimento dos países dubdesenvolvidos”, aí a coisa pega, aí temos que tirar a cabeça das nuvens, abaixar a bola na atmosfera e pôr os pés chão, pois se trata de um caso muito sério a se levar em conta e que não pode, de forma alguma, ser negligenciado. (CONTINUA).















